Compostagem: Porque você deve aplicar está técnica 100% natural em sua produção

 em Ambiental

Cada vez mais tópicos voltados à questão ambiental estão sendo protagonistas das discussões institucionais, e com eles surgem novas alternativas que procuram reduzir o impacto das ações humanas em nosso ecossistema na busca pelo desenvolvimento. Uma destas inovações que está ganhando bastante espaço tanto no ambiente doméstico quanto no ambiente industrial e agropecuário é a compostagem.

Explicaremos a seguir todos os principais tópicos relacionados à esse recorrente tema, esclarecendo todas as suas possíveis dúvidas e mostrando porque você deve investir nessa tão vantajosa técnica, seja em sua casa ou em sua produção.

Do que consiste essa técnica?

Você provavelmente já ouviu a famosa frase do grande químico Antoine Lavoisier:

“Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”

Muito mais do que apenas uma frase impactante, estas palavras descrevem o ciclo de todos os compostos em nosso planeta. Todos os elementos da natureza, vivos ou não, fazem parte deste ciclo. Eles “nascem”, se desenvolvem e “morrem”, todas essas fases nada mais são do que transformações da matéria.

Os restos de comida, as plantas e todos os outros compostos que entram no conjunto da chamada matéria orgânica surgiram da transformação de outros compostos anteriores a eles. E logo serão degradados e transformados em novos elementos.

A compostagem nada mais é do que uma técnica que visa acelerar essa degradação da matéria orgânica, reaproveitando todas as propriedades bioquímicas desses materiais para o enriquecimento do solo em diversos setores de produção. Comparativamente, podemos descrevê-la como uma reciclagem de compostos orgânicos.

Como é o passo a passo da Compostagem?

Nesse processo ocorre a transformação da matéria orgânica em um material rico em minerais e nutrientes, o chamado húmus ou “composto”. Esse material pode ser utilizado como fertilizante no solo em uma produção agrícola ou na área de jardinagem.

Após a preparação, dada basicamente pelo agrupamento da matéria orgânica em forma de pilha sobre o solo, a compostagem se inicia, sendo caracterizada por 4 etapas principais:

Mesófila

Nesta fase primária da compostagem tem-se o surgimento e a proliferação de fungos e bactérias. Eles dão início à decomposição do lixo orgânico, metabolizando os nutrientes mais acessíveis. Ou seja, as moléculas mais simples e gerando compostos ácidos no meio. Esta fase é a mais curta do processo, durando aproximadamente 15 dias.

Termófila

Após o fim da fase mesófila, tem-se o começo da etapa termófila, a mais longa do processo, podendo se estender por 2 ou até 3 meses. Essa fase é caracterizada pela atuação de microrganismos termofílicos ou termófilos – que sobrevivem a temperaturas mais elevadas, os quais degradam as moléculas mais complexas da matéria orgânica.

Nesta etapa a pilha pode atingir temperaturas na faixa de 60 a 70 °C. O que leva à morte de possíveis organismos patogênicos que possam ter se instaurado no composto orgânico.

Mesófila  Secundária

Com o término da fase termófila a pilha começa a perder calor, levando a diminuição da temperatura e ao restabelecimento da etapa mesófila por um curto período. Neste momento o composto já possui um aspecto mais escuro e uma composição bioquímica bem distinta da primeira fase, muito próximo do húmus a ser obtido no fim do processo.

Criófila

Com o ressurgimento do estágio mesófilo a temperatura da pilha continua a reduzir gradativamente até chegar à temperatura ambiente. É um processo característico da etapa criófila ou etapa de maturação que dura entre 1 a 2 meses.

Nesse estágio ocorre a diminuição da atividade microbiana da matéria orgânica, além da eliminação do caráter ácido gerado na etapa inicial, formando por fim o denominado “composto” ou húmus, rico em nutrientes, livre de agente patógenos e atóxico.

Vale ressaltar que as condições nas quais as etapas ocorrem, assim como suas respectivas durações e a composição química final do húmus podem variar de acordo com a matéria orgânica, o tipo de solo e outros fatores que serão detalhados em seguida.

Que fatores influenciam nessa forma de reciclagem?

Composição da pilha

O processo é fortemente afetado pelos tipos e quantidades de alimentos presentes na pilha orgânica, visto que as reações de decomposição realizadas pelos fungos e bactérias presentes na pilha dependem rigorosamente das substâncias químicas ali presentes. Dependendo da composição da matéria orgânica, as reações podem formar compostos diferentes, assim o húmus gerado pode ter ou não determinadas propriedades e nutrientes.

É importante salientar que para obter um composto final dispondo de diversos nutrientes, e portanto um solo rico em várias propriedades bioquímicas, é necessário uma certa variedade dos alimentos utilizados na pilha. Quais alimentos podem ser compostados? Fique tranquilo, este será o próximo tópico abordado.

Aeração

Outro fator que afeta diretamente a compostagem é a dificuldade ou facilidade da circulação de ar dentro da pilha. Por essa razão a pilha deve ser bem aerada. A fim de evitar a acumulação de substâncias causadoras de mau cheiro e que possam atrair moscas e outros insetos.

Além disso as reações feitas pelos microrganismos decompositores são de caráter aeróbio. Ou seja, necessitam de oxigênio para acontecer, portanto permitir o fluxo de ar na pilha é vital para o processo.

Umidade

Como vimos até agora os parâmetros citados são relacionados à necessidade de condições favoráveis à ocorrência das reações de degradação. A umidade da pilha não é diferente.

A água é vital para a proliferação e o desenvolvimento dos fungos e bactérias responsáveis pelo metabolismo da matéria orgânica, garantindo elevada atividade microbiológica na pilha além de auxiliar nas reações degradativas.  Ou seja, mais reações e com durações menores.

A principal fonte de água no meio da compostagem é a matéria orgânica. Por isso, devem haver alimentos com grandes volumes de água em sua composição, como frutas e verduras. Assim a umidade relativa da pilha propiciará um ambiente favorável à compostagem.

Devemos no entanto alertar que o excesso de água na pilha deve ser evitado, visto que podem desacelerar as reações de decomposição, alongando o processo, que já tem um alto período de duração por si só. Para diminuir a quantidade de água na matéria, é possível adicionar mais compostos secos, como a serragem, aparas de arbustos, cascas de árvores e etc.

Temperatura

A temperatura é um dos mais importantes fatores na determinação da velocidade das reações como nas características da compostagem. É importante que a temperatura da pilha propicie a maior taxa de reação possível, acelerando o processo.

Além disso é importante lembrar que as altas temperaturas na fase termófila são vitais para a eliminação de organismos patogênicos. Eles poderiam levar à contaminação do solo.

Preparo da pilha

Por último, mas não menos importante, temos a forma de preparo da pilha. Além da variedade de restos de alimentos e outros resíduos utilizados, a disposição dos mesmos também influencia na compostagem.

Além da influência na aeração e também na facilidade da distribuição de calor na pilha, o formato do monte, assim como sua altura e largura também levam à alterações no processo. É recomendável a formação de pilhas triangulares com uma altura relativamente elevada, assim é possível realizar a troca de calor no interior da pilha, além de evitar que a mesma se desmanche durante os estágios.

Ainda deve-se tomar cuidado com o tamanho das matérias orgânicas utilizadas. Pedaços muito pequenos dificultam a aeração da pilha, porém pedaços excessivamente grandes dificultam e retardam o processo de metabolismo.

Quais matérias orgânicas podem ser Compostadas?

Já explicamos o processo de compostagem e como controlá-la para obter máxima eficiência e  geração de húmus repleto de nutrientes. Mas quais alimentos, resíduos e outros compostos podem ser compostados?

Aqui estão as listas dos materiais mais comuns que podem ser utilizados como matéria orgânica da compostagem. Assim como os que não podem ou não são recomendados:

A venda de resíduos para Compostagem

 Como já explicamos, a compostagem está ganhando muito espaço no mercado e com ela, a venda de materiais que podem ser compostados começou a ser adotada por empresas, de diversos portes e áreas de atuação, para destinar os seus resíduos de forma sustentável e obter lucro com isso! Essa prática pode ser reconhecida como uma compensação ambiental, que muitas empresas buscam empregar atualmente.

Imagem que ilustra como a compensação ambiental pode ser benéfica para uma empresa.

A Lucca Cafés Especiais  por exemplo, oferece as borras de café que sobram de sua produção para seus clientes levarem para fazer compostagem em suas casas. É uma iniciativa super inovadora que conquista e fideliza cada vez mais pessoas. Consegue pensar em algum resíduo de sua produção que possa ser feito algo parecido? Acredite, vale a pena tentar!

Por que eu devo implementar a Compostagem?

Ok. Já sabemos o que precisamos fazer para começar a implantar a compostagem no ambiente que desejarmos, exceto o mais importante. O porquê. Por quê você deve investir nessa técnica seja em sua casa, em sua propriedade, em sua fazenda, em sua produção? Quais as vantagens para você?

Não se preocupe, selecionamos as principais razões e benefícios que a compostagem pode trazer para seu negócio! Aqui estão:

Qualidade do Húmus Gerado

Com a compostagem, um solo com grande período de uso, danificado e quase esgotado pode voltar a ser tão rico em nutrientes quanto antes de ser utilizado! Além disso é possível realizar a compostagem durante a produção, para evitar que o solo de desgaste, mantendo-o incrivelmente propício à produção por muito mais tempo.

Jardinagem

Mencionamos muito durante o texto o quão benéfica a utilização da compostagem pode ser na agroindústria, mas ela também pode ser utilizada para a jardinagem, auxiliando o solo a cultivar todas as lindas e diversas plantas dessa crescente área do mercado. Lembrando que folhas, aparas de arbustos, cascas de árvores e outras matérias orgânicas podem ser utilizados para formar a pilha!

Substituição do Fertilizante Químico

Todos sabemos o quão controverso são os fertilizantes químicos. Eles são ótimos para as plantas, mas quando levados pela chuva até os rios, lagos e mares causam grande poluição. Podem inviabilizar qualquer consumo da água destas fontes, além de prejudicar a vida nos seres vivos nelas presentes. Por que não utilizar a compostagem, que diga-se de passagem é muito mais eficiente e 100% natural?

Diminuição de gastos

Já parou para pensar o quanto você gastará por mês com fertilizantes e outros métodos para manter seu solo funcionando? Imagine se existisse um método de obter um resultado melhor, utilizando apenas resíduos de sua produção que você simplesmente descarta. Sem custos adicionais. Espera aí, existe sim!

Redução de resíduos

Outro grande benefício é a utilização de um grande volume de restos de comida, plantas, estercos e outros resíduos que normalmente iriam ser descartados, permanecendo em aterros sanitários por longos períodos de tempo, gerando mau cheiro, chorume e gases tóxicos na atmosfera.

Assim é possível aproveitar todos os recursos disponíveis e reduzir o incrivelmente alto volume de lixo produzido pela sociedade.

Marketing Verde

Além de todos os benefícios para o meio ambiente e para sua produção, o uso da compostagem  e a publicidade em cima dela pode te trazer uma visibilidade muito maior no mercado. Você compraria um produto que não agride o meio ambiente, que utiliza de métodos 100% naturais e de uma marca ambientalmente consciente ou outro repleto de fertilizantes químicos? Eu com certeza compraria o primeiro!

Imagem com link para artigo sobre marketing verde


Ficou interessado e gostaria de implementar a compostagem em sua produção? A EJEQ oferece consultoria na área ambiental e pode te ajudar no processo! Conheça mais sobre como realizamos um projeto de compostagem  em nossa empresa.

Gostou do conteúdo e quer saber sobre outros assuntos na área ambiental? Conheça o nosso blog!

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Mostrando 5 comentários
  • arthur cerutti
    Responder

    Bom dia,
    Muito esclarecedor a matéria, estou fazendo compostagem na minha casa faz 5 anos e meu jardim e pomar estão maravilhosos, uso 100% da poda e resíduos orgânico de irem para o aterro, estou fazendo a minha parte.
    um abraço

  • Helio Marcengo
    Responder

    Gostaria de saber o que fazer com restos de alimentos cozidos,assados.Ossos de carnes. Podem ir p a compostagem?

    • Aderlano
      Responder

      Oi ossos de carne você queimar para fazer farinha de ossos rica em fósforo
      Pesquisa no YouTube que lá tem ensinando passo a passo

  • leonardo simao
    Responder

    tenho umas 20 toneladas de casca de eucalipto e igual quantidade de cinza de lenha, e´ possivel faze compostagem desdes materiais?

    • Isadora
      Responder

      Olá Leonardo, tudo bem?
      Esses materiais podem ser compostados sim! Porém, deve-se analisar se eles passaram por algum tratamento prévio, pois dependendo das condições do material ele não pode ser compostado. Se você tem interesse em realizar este tipo de compostagem, você pode entrar em contato conosco!

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Foto aérea de uma estação de tratamento de água. Contém diversos grandes equipamentos e uma área florestal em volta dela.Árvore em forma de seta representando um gráfico